The Force Awakens

Sobre a minha primeira vez de verdade em que eu assisti Star Wars no cinema

(Resenha com ‘spoilers’ moderados. Mas eu aviso quando chegar ok!?)

Star Wars e eu

Quando “Guerra nas Estrelas” estreou em janeiro de 1978 aqui no Brasil, eu tinha apenas 5 anos, e esse não era o tipo de filme que os meus pais me levavam no cinema para assistir. Eu só fui saber da sua existência quando ele passou na extinta Rede Manchete anos depois, e aí sim, fui fisgado pelo filme.

(12/08/2011) Analice e Nicolas na 1ª Jedicon
(12/08/2011) Analice e Nicolas na 1ª Jedicon

Até então, “Flash Gordon” de 1980 era o mais perto de ficção científica com aventura que eu havia assistido no cinema e vamos combinar, era simplesmente horroroso, apesar de eu ter ficado impressionado na época.
Por causa disso, eu acabei não assistindo “O Império contra-ataca” que estreou nesse mesmo ano nos cinemas.

Já o terceiro filme da saga “O Retorno de Jedi” eu só fui assistir em 1988 na estreia da Tela Quente da Rede Globo, quatro anos depois de passar nos cinemas. Os filmes não estreavam no Brasil na mesma época que lá fora, muito menos na televisão. Saber sobre alguma coisa de um filme só era possível através das poucas revistas especializadas (que eu nunca tive acesso!) e em jornais, que claro, pouco falavam em cultura pop.

(19/10/2013) Analice e Nicolas na 2ª Jedicon
(19/10/2013) Analice e Nicolas na 2ª Jedicon

Eu só fui assistir “O Império contra-ataca” quando lançaram o combo da trilogia em VHS no Brasil. Na época eu trabalhava como promotor da Lego atuando nas Lojas Americanas que tinham vários ‘displays’ com televisão 14′ e video-cassete nas gôndolas que passavam os 3 filmes em ‘looping’ infinito.
Aluguei os vídeos na locadora e pude então assistir a trilogia toda pela primeira vez na ordem cronológica com vinte e poucos anos.

Foi só aí que a Força despertou em mim!

Então em 1999, um pouco antes do nascimento do meu primeiro filho, eu assisti sozinho no cinema o “Episódio I – A ameaça fantasma” e fiquei encantado com os incríveis efeitos especiais do filme e saí do cinema com certeza de que tinha visto um dos melhores filmes da minha vida!

Mas com a popularização da Internet no Brasil eu descobri que eu estava errado e que Star Wars era muito maior que os filmes. Era o chamado universo expandido, expressão que eu nunca tinha ouvido falar!

Não sou especialista, e nunca li nada ‘Canon’ de Star Wars, mas hoje eu não consigo mais considerar os episódios prólogos por razões óbvias. E mesmo revendo toda a saga seguindo a ordem cronológica para assistir “The Force Awakens”, não há salvação para o que o George Lucas inventou à partir de 1999. Tudo é muito confuso, e muito distante da trilogia clássica, e, como a maioria dos fãs da saga, eu os ignoro completamente.

Mas e aí, George Lucas é gênio ou não?

Claro que é!
O fato dele ter feito a nova trilogia do jeito que fez, isso não tira o mérito do que ele criou inicialmente e da grandiosidade de Star Wars. É preciso entender os contextos de cada época e a motivação nos momentos em que foram idealizados e produzidos.

Quando George Lucas começou com o projeto de Star Wars no início dos anos 70, a ideia dele era criar uma ‘space opera’ e o momento da indústria do cinema na época não era favorável para filmes de ficção-científica. Tanto que nenhum estúdio tinha mais departamento de efeitos especiais. O que forçou George Lucas a criar a ‘Industrial Light & Magic’, o que fez toda a diferença!

Claro que nem tudo eram flores! Até aquele momento, George Lucas não tinha feito nenhum grande filme e não estava acostumado com estúdios grandes como o da Fox. Era comum desentendimento com os responsáveis de outras áreas, como o diretor de fotografia Gilbert Taylor, além de sabermos que ele não é um diretor que realmente sabe lidar com os atores.

Para avaliar um filme, é preciso entender que da ideia inicial, passando pela pré-produção, filmagens e pós produção, MUITA coisa acontece e efetivamente muda!

Com Star Wars isso não foi diferente.

Basta saber que Alec Guinness, o grande nome desse elenco, ele já havia sido indicado ao Oscar vezes anteriores, e o seu personagem Ben Ob-Wan Kenobi não morreria na ideia original. Foi durante o processo de gravação que George Lucas decidiu mudar o roteiro, depois de ler o livro O Herói de Mil Faces, de Joseph Campbell que provocou as mudanças mais significativas na forma como a história seria contada.

Apesar das trapalhadas, a genialidade de George Lucas foi criar a mística na história que era bem simples como um todo e ambientá-la num contexto nunca antes feito, o espaço!

Mas vale a máxima “pessoa certa, na hora certa, do jeito certo”.

Ele era a pessoa certa, pois tinha uma ideia inovadora de se contar uma história no cinema. A hora foi certa pois não havia nada parecido no cinema. Na época Hollywood era ainda muito influenciado com os filmes de faroeste. E o jeito certo foi trazer uma roupagem nunca antes explorada.

Por isso George Lucas é genial!

Mas e os episódios prólogos?

(30/10/2015) Eu, Nicolas e Analice depois de montar o seu Lego Naboo Starfighter que o meu sobrinho Adriano o presenteou
(30/10/2015) Eu, Nicolas e Analice depois de montar o seu Lego Naboo Starfighter que o meu sobrinho Adriano o presenteou

Ao criar os episódios prólogos, George Lucas matou a principal virtude da trilogia clássica:

Querer explicar o que não precisava ser explicado!

O “Espaço negativo”, que é o conceito de mencionar algo que já aconteceu no passado, mas que não é mostrado e é apenas citado na história, faz com que o expectador imagine todo universo sobre aquela citação.

Um exemplo clássico disso é quando o Ben Obi-Wan Kenobi disse para o Luke Skywalker que ele lutou com o seu pai nas guerras clônicas, contando como ele era um ótimo piloto.

Mesmo não sendo mostrado no filme, essa citação abre um espaço enorme para a imaginação de quem assiste. Foi assim que o universo de Star Wars se expandiu.

O erro de George Lucas não foi fazer uma nova trilogia que não tem o mesmo estilo que o da trilogia clássica, e sim criar 3 filmes explicando absolutamente tudo. E o pior, como as ideias originais dos primeiros filmes não tinham a preocupação em virar novas histórias, a colcha de retalhos dos episódios prólogos fez com que os roteiros não fossem tão atrativos. Esse foi o maior erro de George Lucas!

Em resumo, salvando o arco final do episódio III, “A Vingança dos Sith”, quando Anakin se transforma em Darth Vader é muito bem-feito, mas a nova proposta não justifica e nem salva a trilogoia.

Resenha sobre “The force awakens”

(Agora sim, com ‘spoiler’ ok galera!)

Eu fui duas vezes com os meus filhos na Jedicon aqui no Rio de Janeiro e eles cresceram acompanhando a minha paixão por Star Wars. Meu toque de celular, fotos de cenas no computador e os DVD’s da trilogia clássica que eu sempre assisto com eles. Principalmente o meu filho mais velho, que vira e mexe está assistindo alguma coisa relativa ao tema no Youtube e até mesmo na Wiki oficial sobre os bastidores, personagens e cenas.

Quando o episódio VII foi anunciado, nós nos empolgamos e não víamos a hora de assistir o filme. Mas foi só no vídeo do NerdOffice em 2012 é que realmente começamos a contagem regressiva!

Então no dia 13 de dezembro de 2015, para minha surpresa sem muita dificuldade, eu consegui 3 ingressos para a estreia do Despertar da Força e aplaudimos o filme quando subiu os créditos. Coisa rara hoje em dia!

Então vamos lá contar o que eu achei de cada personagem:

Personagens clássicos

Han Solo / Chewbacca

Han Solo / Chewbacca
Han Solo / Chewbacca

Ver os dois entrando em cena na Millenium Falcon no filme foi mais impactante ainda do que no trailer! Solo continua o mesmo fanfarrão de sempre, mesmo depois de velho, o que fez o saudosismo explodir. Todo arco dramático do Solo foi importantíssimo pra trama e ele cumpriu bem a sua função. Chewie foi só um coadjuvante dessa vez.

Ok, a sua morte foi MUITO sentida, arrancando lágrimas de todos na sala, e muita reclamação depois. Mas lembrem-se amigos, que na trilogia clássica Ben Obi-Wan Kenobi e Yoda também morreram para fazer a história dar motivação ao Luke seguir a “jornada do herói”. Por isso, parem de mimimi, fora que o Harrison Ford não quer mais fazer o Solo. Ou seja, ele tinha que morrer mesmo, e nenhum outro ator poderia viver essa papel.

Leia Organa

Leia Organa e Han Solo
Leia Organa e Han Solo

Quem não chorou quando a Leia falou para o SoloVá buscar o nosso filho. Traga ele para casa”? Se você não soluçou nessa hora, você não tem alma e nem coração.

Luke Skywalker

Luke Skywalker'
Luke Skywalker

Sem dizer uma ÚNICA palavra e só aparece na ÚLTIMA cena do filme, a aparição de Luke coloca um “espaço negativo” enorme na trama e faz com que os fãs imaginem e conspirem altas situações, aumentando o ‘hype’ e especulações para os próximos episódios. Genial!

R2-D2 / C-3PO

R2-D2 e J.J. Abrams
R2-D2 e J.J. Abrams

Apareceram pouco no filme, mas quando o fazem, são o frescor nostálgico que estava faltando para completar o leque de personagens no filme.

Novos personagens

Poe Dameron

Poe Dameron
Poe Dameron

Não apareceu tanto, mas certamente terá um enorme papel nas continuações. Teve carisma, e enfim, as cenas de pilotagem foram bem mais realistas arrancando vários “u-ruuus” da galera!

Finn (FM-2187)

Finn
Finn

SENSACIONAL! Que carisma, que personagem! Paixão imediata pelo Finn. Todos saíram do cinema querendo saber mais sobre como um ‘stormtrooper’ é formado e treinado. Abre um enorme “espaço negativo” na história.

Kylo Ren

Kylo Rem
Kylo Rem

Sem dúvida Kylo Ren, é junto com a Rey, os personagens que mais causam controvérsias nas opiniões de quem já assistiu. Para mim ele é um vilão em construção que carrega o peso de substituir Darth Vader literalmente.

Com um treinamento incompleto, e muito a provar, seu desequilíbrio contribui bastante para um personagem que ainda vai crescer muito na trama com seu dilema pessoal. Matar o próprio pai, Han Solo só aumenta o peso desse drama.

 (17/12/2015) Analice e Nicolas antes de assistir Star Wars — The force awakens

(17/12/2015) Analice e Nicolas antes de assistir Star Wars — The force awakens

Rey
Quem não amou Rey depois que saiu do cinema? ❤
O ‘flashback’ que despertou a força na Rey foi a resposta de todas as perguntas que tínhamos.

Sem dúvida uma personagem ‘badass’ e que sempre se virou sozinha esperando a sua família retornar, vivendo num planeta desértico e bastante hostil.

Minha cena preferida foi quando ela entra na mente do Kylo Ren quando ele estava a torturando. Sensacional!

Rey
Rey

BB-8
O personagem mais amado do filme!
Ele conseguiu o feito de ser melhor que o R2-D2. Claro que o fato dele não ser feito por computação gráfica ajudou muito na expressão do personagem!
Valeu cada ‘frame’ em tela.

BB-8
BB-8

Roteiro

Homenagens ao episódio IV
Sem dúvida o filme prestou um grande ‘fan service’ com os personagens da trilogia clássica. Foi uma forma muito inteligente de trazer os saudosistas para o filme apresentando os novos personagens. Perfeito!

(17/12/2015) Analice e Nicolas testando a “força”!
(17/12/2015) Analice e Nicolas testando a “força”!

Simplicidade da trama
A similaridade desse episódio com o IV não é aleatória, mas não é um ‘remake’ ou ‘reboot’. The Force Awakens segue a mesma base da “jornada do herói” utilizada no primeiro Star Wars. A única coisa forçada foi a ‘Starkiller base’ que definitivamente, poderia ser uma outra ameaça. Não precisava ter outra estrela da morte a ser destruída.

Motivação e arcos dramáticos dos personagens
Todos os personagens principais tiveram motivações e arcos bem construídos. Tudo se encaixou corretamente e a sensação ao sair do cinema é querer mais sobre a história, e isso é sempre muito bom. Sinal que a trilogia fincou os pés para algo bem grande à seguir.

Direção do filme
J.J. Abrams é genial sem ter nenhum filme espetacular no currículo, o que é incrível. Mas é sem dúvida nenhuma, o diretor mais indicado para fazer essa transição de gerações fãs da saga.
Nem mesmo os vários trailers estragaram ou comprometeram a experiência de assistir o filme. Ele entende de “espaço negativo” como poucos. Basta assistir esse vídeo “The mystery box” que ele fez para o projeto TED.

O início da trilogia e o que esperar dos próximos episódios
Agora que J.J. Abrams semeou “uma nova esperança” de Star Wars nos nossos corações, nos resta esperar para acompanhar os próximos episódios da trilogia e seus derivados.

Ficou muito claro que isso é só o começo e que a lição dos episódios prólogo foi aprendida. Teremos uma história simples, porém grandiosa, onde o mistério ficará espalhado pelo universo numa galáxia muito, muito distante.

“Que a força esteva com você!” e até lá!

Um comentário sobre “The Force Awakens”

  1. Comentei isso no post e no vídeo que fiz sobre o filme, mas estou pensando em fazer mais dois só para comentar que histórias totalmente diferentes podem se contadas em torno dos mesmos acontecimentos.

    Acho a Rey extremamente diferente do Luke e a jornada mítica dela, apesar de também se encaixar na jornada do herói, é mais interna enquanto a do Luke é mais externa.

    O ápice do Luke no episódio IV é resolver quase tudo sozinho dando o único tiro importante no filme, o que destrói a estrela da morte.

    O ápice da Rey nem chega a ser muito claro. É quando ela parece despertar definitiva para a força logo antes de derrotar o Kyle Ren? Aliás que atriz, né? Dá para ver muita coisa nas expressões dela nesse momento. Ou será que é quando ela entrega o sabre para o Luke e vemos sua expressão variar de uma expectativa emocionada para determinação? Seja como for é outro tipo de jornada, outra qualidade personagem! E isso sem pensar nela ser uma mulher.

    Eu estava desanimado com o filme, viu? Mas estou totalmente absorvido por ele!

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